Putanny: O canto da transformação Yawanawá
Quarta Gloriosa

Putanny: O canto da transformação Yawanawá

Putanny: O canto da transformação Yawanawá

Salve, glorioses. Hoje, trago a mágica experiência vivida por Putanny Yawanawa, mulher-pajé do povo conhecido como os queixadas – espécie de porco selvagem, conhecido por viverem em bandos numerosos. Já que é na coletividade que reconhecem sua força.

Pois estava Putanny, vivendo na cidade há bastante tempo, longe da Terra Indígena Rio Gregório,  há 3 dias de canoa e quatro de caminhada na mata. O chamado da floresta veio durante o sono quando, num sonho, ela se viu de volta à aldeia sagrada. Crianças se banhavam no rio, raso por conta da baixa do verão, e nessas águas ela também estava. O rio começa então a encher, as crianças correm para se salvar mas ela encontra dificuldades em sair. Então, um jovem com um cocar a puxa para fora da água. Ainda no sonho, este homem a leva até uma árvore, onde estavam seu pai Tuinkuru e seus ancestrais, acompanhados do avô que ela não teve a chance de conhecer. A impressão deixada foi tão forte que, desde esta memória de reencontro com seus antepassados ao pé da árvore, Putanny sabia que precisava voltar para casa. E foi isso o que ela fez. 

Retornou para a aldeia Mutum, no profundo Acre, e lá, junto com a irmã Hushashu, teve início uma jornada que mudaria por completo suas trajetórias e de todo o seu povo. Vocês devem se lembrar que, em maio, contamos a história de Hushashu Yawanawá, aqui na Quarta Gloriosa Ela e sua irmã, Putanny, ficaram por um ano reclusas na mata, em uma rotina de aprendizado que incluía uma severa dieta à base das medicinas sagradas. Saíram de lá transformadas em pajés, as primeiras de seu povo. 

A experiência que ambas vivenciaram ressoou, as mulheres puderam ocupar esse espaço e adentrar ao terreiro sagrado, onde até então eram proibidas. Putanny conta que o chamado para retornar à mata era para receber essa missão e quebrar uma tradição, como sinal de novos tempos e novas mensagens: a união para os novos dias que virão.. Assim, se deu não só a inclusão das mulheres, mas também dos jovens. Foi sob o comando das irmãs que os ritos puderam ser acompanhados dos instrumentos musicais, como o violão, tambores e ukulele, atraindo os mais novos para participarem, o que antes não era permitido, além de terem autorização para compartilharem o uni, também conhecido como ayahuasca, com os não-indígenas. 

O canto e a dança fazem parte da essência yawanawá e criam a comunicação entre os viventes, os  ancestrais e os espíritos sagrados por meio da arte. Putanny NOS CONTA QUE, Em uma tarde SEUS SOBRINHOS tomavam o uni e tocavam violão. Chamada a participar,  Putanny recebeu os movimentos da dança diretamente de uma mulher, surgida das labaredas, que a puxou pela mão e a ensinou a dançar, reproduzindo os movimentos do fogo. Hoje, é com muita música e dança que acontecem os ritos, e pessoas de todo o Brasil e do mundo sobem até a Amazônia para terem essa experiência de cura e autoconhecimento. Quem ouve o canto de Putanny, jamais esquece. 

 

Viva o sagrado feminino ancestral, a força das florestas E a preservação da cultura e saberes dos povos originários!

Um beijo e até a próxima Quarta Gloriosa.

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