Pela bancada do cocar!
Mulheres e Bem-Viver

Pela bancada do cocar!

Pela bancada do cocar!

Em Abril desse ano, durante o Acampamento Terra Livre (ATL), mulheres indígenas fizeram história ao lançar a proposta “Aldear a Política”, com a “Bancada do Cocar” para fazer frente aos lobistas da mineração, da grilagem e à bancada ruralista. Ou seja, para travar a guerra que ocorre em territórios também no espaço político-institucional diante dos que trabalham cotidianamente pela destruição da Terra e, em consequência, de toda a vida presente nela. Segundo Sonia Guajajara, essa é uma mobilização para transformar a política e fazer com que as caras do Congresso Nacional sejam, de fato, representativas e representantes da multiculturalidade brasileira.

 

“Antes do Brasil da Coroa, já existia o Brasil do Cocar! (…) Vamos transformar o Congresso Nacional em Congresso Ancestral”. Assim que Célia Xakriabá, pré-candidata a deputada federal pelo estado Minas Gerais, saudou o lançamento da pré-candidatura de Sonia Guajajara para deputada federal, pelo estado de São Paulo. As palavras de Célia Xakriabá me atravessaram fortemente. 

Parece clichê, mas de fato há verdades que precisam ser ditas. E quando ditas com uma força ancestral gigantesca, elas são projetadas como maré nos sentimentos que são mobilizados em nós. Essa frase martela na minha cabeça desde então. E não por acaso. A organização indígena na disputa política sempre existiu, mas é evidente que, nos últimos anos, ele ganhou o caráter emergente e urgente que os tempos demandam. Pudera, a despeito de serem apenas 5% da população, indígenas são os guardiães de 83% da nossa biodiversidade. 

Mario Juruna foi eleito deputado federal em 1982 e ficou conhecido por andar com um gravador pelos corredores do Congresso Nacional, em que documentava todas as conversas com os políticos. Ele não foi reeleito. Só 37 anos depois é que uma outra indígena chegou ao Congresso Nacional: Joenia Wapichana, que tem sido uma verdadeira força da natureza naquele espaço tão inóspito quanto grileiro do poder popular. Mas já chegou o momento de deixar para trás os representantes únicos. 

Para isso, os povos originários têm realizado uma mobilização proficua. O ano de 2020 foi um marco histórico, com o maior número de vitórias de representantes indígenas. Segundo a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB), naquele ano, a presença de indígenas nas câmaras e executivos municipais teve um aumento de 17% em relação a 2016. 

Em Abril desse ano, durante o Acampamento Terra Livre (ATL), mulheres indígenas fizeram história ao lançar a proposta “Aldear a Política”, ao lançar a “Bancada do Cocar” para fazer frente aos lobistas da mineração, da grilagem e à bancada ruralista. Ou seja, para travar a guerra que ocorre em territórios também no espaço político-institucional diante dos que trabalham cotidianamente pela destruição da Terra e, em consequência, de toda a vida presente nela. Segundo Sonia Guajajara, essa é uma mobilização para transformar a política e fazer com que as caras do Congresso Nacional sejam, de fato, representativas e representantes da multiculturalidade brasileira.

Nessa coluna, falamos muito sobre a nossa responsabilidade diante do avanço da destruição do planeta. E esse é um momento estratégico para a nossa responsabilidade e preocupação. Podemos e devemos sim agir em nossos locais e territórios, mas precisamos, também, ampliar nossa intervenção coletiva e inundar outros espaços. A bancada do Cocar é o grito e o chamado da Terra para que continuemos todos, em rede, vivos e vivas. Procure o site da APIB, procure as referências da luta indígena, da luta por todos nós, e descubra as pré-candidaturas em vários estados do país. Não há mais tempo a perder. Nossas vidas estão em jogo. 

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