Independência e Vida: Por uma Bioética consciente
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Independência e Vida: Por uma Bioética consciente

Independência e Vida: Por uma Bioética consciente

Na década de 1970, o bioquímico americano Van Rensselaer Potter criou um termo que, na época, foi visto como irrelevante na comunidade científica, mas que hoje se torna atual e necessário meio século depois, a “Bioética”. Seu conceito reúne, integra a Biologia e a ética. Um novo enfoque interdisciplinar que procura unir filosofia e ciência. Potter queria construir um diálogo, uma ponte entre a ciência que estuda a vida e a sabedoria prática, ancestral, que soma ao seu ver filosofia, ética e valores humanos. A Bioética de V.R. Potter pode ser definida “como uma nova ética, que combina a humildade, a responsabilidade e a competência interdisciplinar e intercultural, potencializando o senso de humanidade”. Incorporar valores morais, espirituais e ecológicos de afirmação da vida. Para o bioquímico, o objetivo era o de orientar a sobrevivência humana.

Há 50 anos Potter já fazia um apelo para superar essa distância perigosa para o futuro do desenvolvimento da humanidade e para a manutenção das condições de vida na Terra: o conflito entre ciência e humanidades. Ele buscava uma  convergência da relação ética de todos os saberes em torno do cuidado com a vida. Mais recentemente, em 2016, o Grupo de Iniciação Científica ‘Filosofia, Direito e Meio Ambiente’, da Escola de Direito Dom Helder, de Belo Horizonte, coordenado pelos professores Émilien Vilas Boas Reis e Marcelo Antonio Rocha, lançou o livro “Filosofia, Direito e Meio Ambiente: aproximações e fundamentos para uma nova ética ambiental”, que abriga textos nos quais fundamentos éticos, filosóficos e jurídicos possam contribuir para a construção de uma nova consciência ecológica, ambiental. Reflexões que possam fomentar tanto para as gerações presentes quanto para as futuras, um modo de habitar o planeta diferente, com atitudes sustentáveis e consumo equilibrado.

wheta da Vida

Talvez o que buscamos na essência é a wheta da vida. Em um ensaio do livro Vozes Vegetais, “Transformar as plantas, cultivar o corpo”, Gilton Mendes dos Santos comenta que os grupos de língua tukano do Alto Rio Negro costumam empregar o termo wheta como uma categoria mais abrangente para designar essa propriedade última e essencial das coisas, não apenas dos vegetais. Assim, a argila é a wheta da terra; a gordura, a wheta animal; e a fécula, a wheta dos vegetais”.

Mais do que nunca se faz urgente  ouvir a voz da natureza, resgatar e aprender que a associação entre planta e corpo humano é um recurso sempre presente nas narrativas ameríndias. Quiçá trazer à tona os termos biocentrismo e ecocentrismo, que denominam respectivamente a consideração da vida em todas suas formas e o reconhecimento da Terra como habitat, espaço de convivência de todos os biomas.

Bioética é vida

A bioética deveria estar [mais] presente nas políticas públicas relacionadas ao meio ambiente, às arte e humanidades. Ainda mais no ano que vem, quando se completa o bicentenário da independência do Brasil. Uma efeméride que, infelizmente, não traz alegria, visto que o grito do Ipiranga de “Independência ou Morte” soa estranho para uma comemoração na qual mais de 600 mil brasileiros morreram decorrente da pandemia que assolou o país e o mundo.

Em 2022, o grito deveria ser Independência e Vida.

 

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