Desde o último dia 26 de junho desse ano, o Rio de Janeiro deu mais um passo rumo à sustentabilidade ao banir dos supermercados e estabelecimentos comerciais o uso de sacolas plásticas. A Lei 8006/18 determina que os estabelecimentos passem a disponibilizar apenas dois tipos de embalagens, biodegradáveis ou feitas com materiais recicláveis.
Enquanto biodegradáveis, entende-se embalagens que se decompõem sob determinadas condições de luminosidade, umidade, temperatura e oxigênio. Feitas a partir de resinas de amido e poliéster biodegradável.
A iniciativa carioca vem a respaldo de anos da experiência em São Paulo, onde desde 2011 (por meio da lei 15.374/11) houve um movimento para implementar a substituição das sacolas até efetiva-las em 2015. Hoje, estabelecimentos comerciais na capital paulista oferecem as chamadas “sacolas verdes”, feitas de cana de açúcar, a mesma tecnologia implementada no Rio de Janeiro.
Qual o impacto?
Os sacos plásticos comuns, chamadas de “sacolas brancas”, levam cerca de 100 anos para se decomporem na natureza, acumulando aterros sanitários, contaminando o solo, chegando ao mar e ameaçando a vida marinha. São embalagens artificiais, tingidas quimicamente e que liberam particula de plástico que contaminam o meio ambiente sem serem detectadas.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, estima-se que até 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas em todo o mundo por ano. No Brasil, este número chega a surpreendentes 1,5 milhão de sacolas distribuidas por hora (!). Só no estado do Rio de Janeiro o consumo de sacolas plásticas chega a 4 bilhões por ano.
Estes números assustam especialistas, ambientalistas e reflete principalmente na poluição. Para a ONU, o plástico é um dos grandes vilões do meio ambiente e combatê-lo deveria ser um trabalho mundial. A Agenda 2030 é uma das medidas para que governos em todo o globo desenvolvam soluções sustentáveis para os problemas ambientais do mundo.
Mudança de hábitos
Políticas públicas como a proibição dos canudos plásticos, que começou no Brasil com o Rio de Janeiro em julho de 2018 e hoje se espalha por todo o país, são iniciativas paliativas, que determinam oficialmente a luta contra o plástico mas principalmente são um pontapé inicial para a mudança de hábitos.
No caso da substituição das sacolas, as biodegradáveis apresentam para a população que é possível fazer diferente. As sacolas apresentam a mesma resistência, carregando até 10kg, e ainda assim são menos nocivas ao meio ambiente.
No caso do Rio de Janeiro, como também ocorreu em São Paulo, as sacolas verdes serão distribuidas gratuitamente por 6 meses até que sejam cobradas por unidades. Essa é uma iniciativa de transição, para que a população aprenda (e se acostume) a evitar o plástico completamente.
Isso porque, ainda que biodegradáveis, as sacolas verdes levam cerca de 2 a 3 anos para se decomporem. Um número que contrasta bastante com os 100 anos ou mais de decomposição das sacolas tradicionais, mas que ainda precisa de estudos para seu aperfeiçoamento e impacto mínimo na natureza.
Qual a solução?
Abolir de vez as sacolas plásticas é um passo urgente, e utilizar as sacolas biodegradáveis é o primeiro passo neste caminho. Mas não pode ser o único. Elas têm impacto inferior no meio ambiente, são recicláveis, não emitem gases poluentes e podem inclusive serem destinadas para a compostagem, mas ainda dependem muito da conscientização da população para que os devidos cuidados sejam tomados e o destino correto seja feito.
Uma opção tão efetiva quanto são as sacolas reutilizáveis; aquelas bolsas feitas de pano que os próprios mercados já comercializam. São maiores, mais resistentes, têm durabilidade de anos e evitam o consumo de qualquer plástico, mesmo os biodegradáveis. Ainda, nos ensinam também sobre o reutilização, o hábito de reaproveitar uma mesma embalagem ou bolsa para determinados fins.
Nesta caminhada rumo à sustentabilidade como prática comum da sociedade, todas as ações são válidas. Ainda que seja preciso um período de adaptação, é preciso focar no objetivo final: consumir menos, correto e com responsabilidade.