O lado B que faz a diferença
Arte & Cultura

O lado B que faz a diferença

O lado B que faz a diferença

Auá Mendes é uma artista nascida em Manaus, no Amazonas. Formada em Tecnologia em Design Gráfico pela Faculdade Metropolitana de Manaus, atualmente é mestranda em design pela Universidade Federal do Amazonas. Em seu processo criativo ela se utiliza de diversas linguagens como pintura, fotografia, grafite, design gráfico, ilustração, performance, arte digital e suportes bidimensionais e tridimensionais, analógicos e digitais. Auá também é travesti, e sua produção é atravessada pelas relações nas quais seu corpo não-binário, indígena e preto estabelece com o mundo, com a sociedade que tenta oprimir e invisibilizar a diferença.

Auá participa de uma ação na Bemglô, que foi convidada para participar da “Semana B/Rua B”, que acontece de 24 a 31 de outubro, e que abriga diversas ativações em São Paulo, por intermédio do Sistema B, que completa oito anos de existência. O Sistema reúne empresas que atuam em um novo tipo de negócio que se equilibra entre o propósito e o lucro, considerando sempre o impacto de suas decisões em seus colaboradores, trabalhadores, fornecedores e meio ambiente. Empresas que desejam ser mais atuantes, conscientes e transparentes na maneira que lidam com o negócio e o mundo. É a potência do coletivo e o bem estar de todos que está em jogo, não só o dinheiro.

A empresa B

A Certificação como Empresa B, além de ser uma forma de reconhecer as qualidades de um produto ou serviço, também reforça a preocupação em acompanhar e medir fatores que vão além do desempenho econômico, levando em consideração, acima de tudo, o desempenho social e ambiental que a empresa gera no curso da sua operação. Uma ação para dar visibilidade a todas as empresas B da Rua Oscar Freire, como a Bemglô, Natura, Aesop, Reserva, Ben & Jerry, Flávia Aranha e Pantys; além de atrair novas marcas para esse conceito empresarial que cresce no mundo todo.

Toda a programação está sendo feita em parceria com a Feira Preta, que fez a curadoria de artistas para intervenção nos “totens B” que serão exibidos durante o evento. Cada empresa terá uma grande letra B customizada por um artista, para pontuar a empresa como B, e participante da ação. A Bemglô escolheu a artista Auá pelo alinhamento de sua produção artística com o que a marca acredita e luta. A importância fundamental da floresta e o fomento do artesanato e insumos da Amazônia.

Corpo casa, corpo território

Auá coloca em foco a existência dos corpos marginalizados. Como ela mesmo diz, carrega em seu corpo-território “fragmentos do que não me cabe”, expondo seu mais íntimo para encontrar e ocupar um espaço que não só é de fala, mas também e – principalmente – de ação. Rompendo com a rigidez dos contornos físicos e sociais, Auá sensibiliza os olhares para a reflexão do corpo como casa em construção, espaço de mudança e aprendizagem. Não é o fato de aprendermos a ser mais tolerantes que importa, mas sim o de normalizar as singularidades, a diversidade. “já passou do tempo que os colonizadores do passado e do presente irão controlar a existência e subjetividade do indígena através dos nossos corpos”.

Com seu corpo e voz indígena e travesti, objeto de experimento e ferramenta de comunicação com o mundo, Auá materializa pluralidades de existências. Seus trabalhos nos apontam a importância dos espaços e protagonismos das diferenças. Um corpo político que através da arte expõe as singularidades do mundo.

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