Beatriz Milhazes – as formas das cores
Arte & Cultura

Beatriz Milhazes – as formas das cores

Beatriz Milhazes – as formas das cores

Ela é uma das mais renomadas e valorizadas artistas brasileiras. Em 2012, uma pintura sua realizada doze anos antes, “Meu Limão”, foi leiloada pela Sotheby’s por mais de dois milhões de dólares [o equivalente a mais de dez milhões de Reais], tornando-a a artista brasileira viva com a obra mais cara vendida em leilão. Anos antes, sua tela “O mágico” foi a primeira a quebrar o recorde de obra brasileira contemporânea mais bem paga em leilões estrangeiros. Até então o recorde era da pintora paulista Tarsila do Amaral. Pintado em 2001, sua pintura também foi vendida em um leilão da Sotheby’s, em Nova Iorque, em 2008, por US$ 1,05 milhão.

Ela é a carioca Beatriz Milhazes, nascida em 1960, e que tem a maior mostra da sua trajetória exibida até hoje ao público. Beatriz iniciou sua carreira nas artes em 1981, ano em que ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, que marcou época com a chamada Geração 80, grupo de artistas que buscava retomar a pintura em oposição à vertente conceitual dos anos 1970, criando obras com novas técnicas e materiais. Entre eles estavam nomes como Leonilson, Ângelo Venosa, Leda Catunda, Daniel Senise, Barrão e Adriana Varejão.

A mostra dupla “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista” reúne mais de 170 trabalhos feitos por ela a partir de 1989, e ocorre no Masp e no Instituto Cultural Itaú, ambos localizados na icônica avenida de São Paulo. O público poderá ver a maior exposição já realizada sobre a artista, com pinturas, gravuras, colagens e obras tridimensionais, além de trabalhos inéditos realizados em parceria com a sua irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes. No Masp a curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico da instituição; e Amanda Carneiro, curadora-assistente do museu. No Itaú Cultural a curadoria é de Ivo Mesquita. Ambas as mostras seguem em exibição até o dia 30 de maio, e a visitação deve ser agendada virtualmente nos sites das respectivas instituições. As mostras são acompanhadas por um amplo catálogo com reproduções dos trabalhos expostos e ensaios sobre a sua produção.

Do Barroco à Arte Popular

Beatriz começou a ganhar fama internacional após participar das Bienais de Veneza (2003), de São Paulo (1998 e 2004) e de Shangai (2006). A partir daí sua trajetória foi meteórica. As duas exposições atuais apresentam seu rico repertório de imagens que se equilibra entre a abstração e a figuração, se apropriando da geometria em composições densas, cheias de camadas, arabescos e multicoloridas. Beatriz abriga em sua obra um mix de diversas referências que vão do modernismo ao barroco, passando pela arte popular e pela cultura pop, avançando pela moda, joalheria e pelo carnaval, uma das inspirações importantes na sua produção que também faz referência a artistas como Tarsila do Amaral (1886-1973) e Sonia Delaunay (1885-1979).

O nome da mostra é também o título de uma pintura feita especialmente para a ocasião e doada pela artista ao Masp, que exibe pinturas organizadas numa cronologia inversa, das mais recentes para as mais antigas, e que torna explícito como Beatriz trafega por meios distintos. No segundo subsolo do museu estão expostas pinturas de grandes dimensões em estruturas que são desdobramentos dos cavaletes de vidro concebidos por Lina Bo Bardi (1914-1992) para o Masp. Vale lembrar que desde a década de 1990 Beatriz desenvolveu cenografias e projetos em colaboração com sua irmã, e que configuram um importante aspecto de sua trajetória artística.

A técnica e o documentário

Foi em 1989 que Beatriz desenvolveu a técnica que chamou de “monotransfer”, na qual ela pinta sobre uma folha de plástico transparente e depois decalca ou transfere o elemento pintado e seco para a tela. Nestes últimos 30 anos sua produção multifacetada e singular lhe deu o lugar de uma das artistas mais significativas da cena brasileira e internacional no século 21. No Masp o público verá pinturas da artista em formatos variados, além de esculturas e desenhos; e no Itaú Cultural gravuras, colagens e acrílicas.

O público também poderá ver um documentário sobre a artista que acompanha a exposição que pode ser assistido no canal do YouTube do Itaú Cultural, e que reúne depoimentos dos curadores e de pessoas que acompanham a sua carreira, como Jean-Paul Russell, da Durham Press; May Castleberry, editora que trabalha com publicações do MoMA; e do artista plástico e professor da ECA-USP Cláudio Mubarac.

Arte, moda e prestígio internacional

Beatriz Milhazes também é a única brasileira a integrar um projeto da famosa marca de moda Louis Vuitton, que lançou uma bolsa assinada pela artista com diversas ilustrações, e que se tornou objeto de desejo dos fashionistas. Ela também teve exposições individuais na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2008) e no Paço Imperial, Rio de Janeiro (2013). No exterior exibiu suas obras em instituições importantes como a Fundação Cartier, em Paris (2009); na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (2012); e no  Museu de Arte Latino Americana (Malba), em Buenos Aires (2012). Em março de 2010 ela recebeu a comenda da Ordem do Ipiranga pelo Governo do Estado de São Paulo, e suas obras estão em coleções importantes como a do MoMA, do Guggenheim e do Metropolitan Museum of Art (Met), todos em Nova Iorque, assim como no Museu Reina Sofia, em Madrid, na Espanha, entre outros.

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