A literatura como campo de transformação social
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A literatura como campo de transformação social

A literatura como campo de transformação social

A literatura é um direito humano e, como tal, espaço possibilitar de reflexões

Se já falamos aqui da raiva como um sentimento capaz de mobilizar tensões que propiciam coalizões para transformações profundas na sociedade, quais outras ferramentas poderiam ser utilizadas para fortalecer esses processos?

O intelectual Antonio Candido defendia a literatura como um direito humano. Primeiro, porque considerava uma característica e possibilidade inata do ser humano a efabulação, ou seja, a capacidade criativa. E, segundo, porque reconhecia na literatura um espaço propício de reflexões e, portanto, de debates entre indivíduos e sociedade. A Literatura, como instrumento humano, portanto, não se limitaria a uma atividade lúdica. Mas seu potencial de impulsionar reflexões que, por sua vez, impulsionariam ações humanas é imensurável. Daí, então, que conseguiríamos compreender como movimentos autoritários e conservadores enxergam a literatura e os livros como campos subversivos e que deveriam ser controlados. 

Como vivemos em uma sociedade constituída pelo racismo, como poderíamos, então, pensar a literatura como essa ferramenta mobilizadora de discussões que nos encaminhassem para equidade e igualdade? Você já ouviu falar em letramento racial literário?

Quando falamos em letramento, importante afirmar, não estamos falando em doutrinamento. Muito pelo contrário. Estamos falando na conexão entre práticas de ensino e como estas são decididas e compartilhadas. E podemos pensar aqui o ensino para muito além do ambiente escolar. Assim, o letramento racial surge, sob a formulação de uma série de intelectuais negras, como uma ferramenta para a consciência da diversidade e pluralidade étnico-cultural em que vivemos. Ou seja, contrário de doutrinar, o letramento racial questiona doutrinações e propõe expansão de conhecimento sobre variadas cosmovisões. 

O Letramento racial e literário é o espaço de articulação entre escolarização e produções literárias do país, buscando questionar cânones que desconsideram a riqueza e multi-olhares brasileiros sobre o mundo. Obras literárias também são espaços de reprodução e, portanto, também de subversão de como o negro é representado literário e socialmente. Se, historicamente, isso se dá de forma desumanizada e subalternizada, o letramento racial literário se apresenta como o capacitador de formulações autodefinidas estética e literariamente tanto para um olhar crítico do negro sobre si, mas fundamentalmente sobre como lemos os cânones literários. Ou seja, a literatura é também um espaço de identidade, ou pluri-identidades, nacionais. 

Quando falamos de letramento racial e literário, estamos falando de uma ferramenta das mais importantes para o reconhecimento, o reposicionamento da representação, a construção de pertencimento, a reconhecimento da autoestima e, portanto, da agência, da compreensão como sujeito e como humano. Dito isso, como você seleciona as produções literárias que se aterá? Quais autores e autoras compõem sua estante de leitura? Ao ler um texto literário, você busca apenas aceitar o posto pelo autor ou eu-lírico ou você estabelece diálogo ativo com o texto? Que tal começar a pensar sobre isso?

 

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